Porifera

março 2nd, 2009

Introdução

 Do latim:
Porus = poro
Ferre = possuir

Os poríferos são conhecidos e utilizados desde a antiguidade, porém eram considerados inicialmente como plantas ou ainda como Zoophyta (animais-plantas), com sua natureza animal sendo reconhecida só no final do século XVIII. Foram ainda classificados como Pólipos (cnidários), mas, o naturalista inglês R.E. Grant, estudando sua anatomia e fisiologia, conseguiu diferenciá-los e criou o nome Porifera. O Filo Porifera, sugerida por Huxley em 1875 e por Sollas em 1884, só foi aceito no início do século XX.

Os poríferos são comumente chamados de esponja e são animais multicelulares e sem tecidos ou órgãos verdadeiros. São seres filtradores e sésseis, estando fixos a um substrato e dependendo de correntes de água para sua alimentação, excreção e trocas gasosas.
A maioria das espécies já descritas está restrita aos ambientes bentônicos marinhos, embora existam espécies de água doce. Ocorrem em todas as profundidades e ocupam tanto as regiões tropicais como as polares. 
As esponjas possuem tamanhos variados, desde alguns milímetros até alguns metros, podendo constituir uma porção significativa da biomassa bentônica. Elas chamam atenção também pela diversidade de cores que apresentam, incluindo coloridos vivos e tons brilhantes, que são logo empalidecidos quando as esponjas são removidas da água.

A natureza porosa das esponjas favorece para o desenvolvimento de relações de simbióticas ou de comensalismo envolvendo as esponjas e invertebrados menores ou mesmo alguns peixes.
Como são animais sésseis, impossibilitados de fugirem dos predadores, desenvolveram, como mecanismo alternativo de defesa, alguns compostos tóxicos. Muitas espécies produzem toxinas com atividade antimicrobiana (antibacteriana, antifúngica, antiviral), que são utilizados tanto na defesa antipredação, como também para a competição por espaço com outros invertebrados.

  

Classificação Taxonômica:

Classe Calcarea
Classe Hexactinellida

esponja Classe Demospongiae

  

Tipos Celulares

 As esponjas são caracterizadas pela totipotência e podem apresentar diversos tipos de células:

  • Pinacócitos: ocorrem na pinacoderme. São células geralmente achatadas que cobrem a superfície exterior e parte das superfícies interiores.
  • Miócitos: são células contráteis, normalmente fusiformes e agrupados de maneira concêntrica, que auxiliam a regular a entrada de água.
  • Coanócitos: células ovóides, com um flagelo circundado por um colarinho em uma das extremidades. Formam a coanoderme e criam as correntes que levam a água pelo sistema aqüífero.
  • Arqueócitos: células amebóides, capazes de se diferenciar e dar origem a virtualmente qualquer um dos outros tipos celulares. São células grandes, móveis, que têm um papel fundamental na digestão e no transporte de nutrientes.
  • Porócitos: células cilíndricas, semelhantes a tubos, contráteis e podem abrir ou fechar o poro.
  • Esclerócitos: são células responsáveis pela produção de espículas calcárias ou sílicas.

 

Estrutura corporal e sistema aqüífero

 Os pinacócitos constituem a pinacoderme, que é perfurada por pequenas aberturas chamadas poros dérmicos ou óstios, dependendo se são rodeadas por várias ou uma única célula, respectivamente. A maioria das superfícies internas é constituída pela coanoderme, que é composta pelos coanócitos. Tanto a coanoderme como a pinacoderme são camadas com uma célula de espessura. Entre estas duas camadas encontra-se o mesoílo, que tem papel fundamental na digestão, produção de gametas e no transporte de nutrientes e excretas. O mesoílo inclui uma mesogléia acelular, na qual estão embebidas fibras de colágeno, espículas e várias células. O esqueleto é relativamente complexo e proporciona uma estrutura de sustentação para as células vivas do animal, sendo que os elementos esqueléticos podem ser tanto orgânicos (colagenoso), como inorgânicos (silicoso ou calcário).
O sistema de correntes de água é estabelecido pelos batimentos dos flagelos dos coanócitos. A água é puxada através dos óstios, circulando na cavidade do átrio (espongiocele) e saindo pelo ósculo, abertura no topo. Quando a água é movimentada sobre a coanoderme ocorrem as trocas de nutrientes, gases e excretas entre a água e os coanócitos.

 

Tipos de Sistema de Canais

A coanoderme pode manter-se simples e contínua (a condição asconóide), pode tornar-se dobrada (a condição siconóide) ou pode ainda tornar-se altamente subdividida em câmaras flageladas separadas (a condição leuconóide).

  • Asconóide: as esponjas asconóides raramente ultrapassam 10 cm em altura e permanecem como unidades tubulares simples em forma de vaso. As paredes finas cercam uma cavidade central chamada átrio (espongiocele), que se abre para o exterior via um único ósculo. A coanoderme é uma camada simples, não dobrada, de coanócitos que revestem o átrio. A água flui via: óstio – espongiocele – ósculo.
  • Siconóide: nas esponjas siconóides, os coanócitos estão restritos a câmaras específicas ou divertículos do átrio, chamadas de câmaras coanocitárias (câmaras flageladas ou canais radiais). Cada câmara coanocitária se abre para o átrio por uma abertura larga chamada apópila. Podem também possuir canais inalantes que se abrem para as câmaras coanocitárias através de aberturas chamadas prosópilas. A água move-se no sentido: poro dérmico – canal inalante – prosópila – câmara coanocitária – apópila – átrio – ósculo.
  • Leuconóide: nas esponjas leuconóides, ocorre a subdivisão das superfícies flageladas em pequenas câmaras coanocitárias ovais. O átrio é reduzido a uma série de canais exalantes que levam a água das câmaras coanocitárias para o ósculo. Assim, o fluxo da água ocorre no sentido: poro dérmico – canal inalante – prosópila – câmara coanocitária – apópila – canais exalantes – ósculo.

 

Nutrição, Excreção e Trocas gasosas

Os poríferos dependem da digestão intracelular, e portanto da fagocitose e pinocitose como meio de captura de alimento. A mobilidade das células amebóides no mesoílo assegura o transporte de nutrientes por todo o corpo da esponja.
A excreção (principalmente amônia) e as trocas gasosas são por difusão simples. Além disso, vacúolos contráteis ocorrem em esponjas de água doce e presumivelmente auxiliam na osmorregulação.

 

Atividade e Sentidos

Apesar das esponjas não apresentarem órgãos sensoriais definidos, elas são capazes de responder a uma variedade de estímulos ambientais pelo fechamento dos óstios ou do ósculo, constrição dos canais, reversão do fluxo e reconstrução das câmaras flageladas. A difusão do estímulo e da resposta parece ser através da estimulação de uma célula para a outra célula adjacente, e também de certos mensageiros químicos associados à irritabilidade do citoplasma.

 

Reprodução e Desenvolvimento

As esponjas são capazes de realizar tanto processos de reprodução sexuada, como de reprodução assexuada. Porém, elas não possuem gônadas definidas ou localizadas (gametas e embriões ocorrem por todo o mesoílo).

  • Reprodução Assexuada: os poríferos podem apresentar a formação de gêmulas (suportam o congelamento ou a dessecação); corpos de redução (semelhantes às gêmulas); brotamento (expansões em forma de bastão saindo da superfície da esponja, que, ao deslocarem da superfície da esponja parental, podem ser carregados pelas correntes de água até aderirem a um substrato e formarem um novo indivíduo) e, possivelmente, a formação assexuada de larvas. Provavelmente todas as esponjas são capazes de regenerar adultos viáveis a partir de fragmentos.
  • Reprodução Sexuada: A fertilização cruzada é a regra, sendo que a maioria das esponjas é hermafrodita, mas produzem ovos e espermas em períodos separados. Este hermafroditismo seqüencial pode tornar a forma de protoginia ou protandria, e a mudança de sexo pode ocorrer apenas uma vez ou o indivíduo pode alternar repetidamente entre macho e fêmea.
    O esperma e oócitos maduros são lançados no ambiente através do sistema aqüífero. A fertilização normalmente tem lugar na água (oviparidade), com a formação subseqüente de uma larva planctônica. Entretanto, algumas esponjas praticam a viviparidade e, nestas espécies, o esperma é levado ao sistema aqüífero de indivíduos adjacentes que possuam oócitos, e os embriões são liberados como larvas natantes maduras.
    Os três tipos básicos de larvas descritos em esponjas são: celobástulas, parenquímula e anfiblástula. 

 

Curiosidades

  • Recentemente vários compostos bioativos importantes têm sido descobertos nas esponjas, muitos dos quais possuindo interesse farmacológico potencial (compostos antimicrobianos, antiinflamatórios, antitumorais, citotóxicos e antiincrustantes).
  • Algumas espécies de esponjas são, até hoje, industrializadas e utilizadas para o banho.

 

Referências Bibliográficas
BRUSCA, R. C.; BRUSCA, G. J. Invertebrados. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
HICHMAN JR, C. P.; ROBERTS, L. S.; LARSON, A. Princípios Integrados de Biologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.
RUPPERT, E. E.; BARNER, R. D. Zoologia dos Invertebrados. São Paulo: Roca, 1996.
http://www.poriferabrasil.mn.ufrj.br

 

 

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Uma resposta em “Porifera”

  1. vinicius gomes andradeon 08 nov 2012 at 7:45

    e muito interesente

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