Plataforma Continental

novembro 14th, 2008

PLATAFORMA CONTINENTAL DO BRASIL
PLATAFORMA CONTINENTAL DO NORDESTE
PLATAFORMA CONTINENTAL DE SERGIPE

  

Considerações Gerais:
A margem continental tem sua origem relacionada à dinâmica da deriva continental e vem transformando-se ao longo do tempo com os processos erosivos e deposicionais. O resultado dessas atividades é evidenciado na distinção das margens continentais em dois tipos: Atlântico (ou passiva, com grande acúmulo de sedimentos); e Pacífico (ou ativa, com ocorrência de terremotos e vulcões). A morfologia das margens continentais apresenta províncias fisiográficas, dentre as quais encontra-se a Plataforma Continental.
A Plataforma Continental é uma faixa, com gradientes suaves, inferiores a 1:1000, que circunda o continente. Estende-se desde a linha da praia até uma região na qual há um aumento pronunciado da declividade, denominada quebra da plataforma continental. As águas sobre o domínio da plataforma englobam a zona nerítica, e as águas além desse limite constituem a zona oceânica.

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O caráter amplo e plano das plataformas, com um relevo que raramente excede 20m, está intimamente ligado a uma série de regressões e transgressões marinhas. A depender da localidade, a profundidade e a largura apresentam variações consideráveis, sendo a profundidade média de 130m, e a largura média de 75km.
O ambiente das plataformas é predominantemente sedimentar, com a presença de sedimentos terrígenos, biogênicos, vulcânogênicos, autigênicos e residuais. Esse fundo sofre a ação continental e marinha, como: a evolução estratigráfica, o aporte de sedimentos do continente e a atividade biológica. Outra condicionante é a hidrodinâmica dos oceanos, que, através da ação das marés; das ondas de tempestade; e das correntes forçadas pelo vento, é capaz de atuar nas plataformas continentais em diferentes escalas, podendo mobilizar intensamente o fundo marinho ou, praticamente, não provocar transporte de sedimentos.
A depender da interação entre o agente mobilizador dos sedimentos e a granulometria, observa-se a predominância de um determinado tipo de fundo, e essas características sedimentares relacionam-se intimamente com a FAUNA, determinando a instalação de espécies adaptadas morfológica e fisiologicamente.



Divisão da Plataforma:
A plataforma continental pode ser subdividia, com base na profundidade e no nível energético, em domínios dinâmicos, que variam, entre as plataformas e, também, no tempo. Os principais, da terra em direção ao oceano, incluem: a plataforma interna; a plataforma média; a plataforma externa e a borda da plataforma.
Essa divisão pode apresentar-se variada em cada plataforma, levando em consideração diferentes critérios, como a profundidade e largura. 

 

 

 

Importância e Impactos:
Embora representem apenas 7,5% dos oceanos, as plataformas possuem grande importância científica, econômica e ambiental, podendo atuar na direção de propagação das ondas, constituir uma fonte de sedimentos para a manutenção das praias e abrigar uma rica biodiversidade. Essa zona dinâmica sofre grande exploração de recursos, implicando em problemas no seu equilíbrio ecológico.  Destaca-se aqui, além dos problemas relacionados à fauna (pesca, morte causada por contaminação ambiental), a exploração do petróleo, uma atividade com grande risco de impactar o ambiente marinho. Assim, os estudos devem ser intensificados para conhecer e preservar melhor esse ambiente.

 

 

Curiosidade:


  • Plataforma Continental Jurídica X Plataforma Continental Geomorfológica

Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), a Plataforma Continental Jurídica (PCJ) é:
“A plataforma continental de um Estado costeiro compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além do seu mar territorial, em toda a extensão do prolongamento natural do seu território terrestre, até ao bordo exterior da margem continental, ou até uma distância de 200 milhas marítimas das linhas de base a partir das quais se mede a largura do mar territorial, nos casos em que o bordo exterior da margem continental não atinja essa distância.” (CNUDM, art. 76, par. 1).
Já a Plataforma Continental Geomorfológica (PCG) é entendida como a área plana, com relevo suave e gradiente inferior a 1:1000, que se estende da linha da praia à quebra da plataforma, onde se inicia o talude.
Assim, nota-se que a Plataforma Continental Jurídica pode englobar mais do que as feições fisiográficas conhecidas como plataforma, podendo avançar além do talude. Muitos estados costeiros têm procurado estabelecer os limites da sua jurisdição marítima, o que significa, novas oportunidades econômicas e novos desafios e responsabilidades ambientais.
 

 

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https://www.mar.mil.br/dhn/dhn/ass_leplac_amazul.html

 

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Cunha, E. M. S. Considerações Gerais Sobre A Zona Costeira.

 

 

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Uma resposta em “Plataforma Continental”

  1. Danilloon 20 out 2012 at 0:08

    Muito bacana as informações colocadas aqui….especialmente sobre a questão da plataforma jurídica e geomorfologica

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