Flora

junho 24th, 2009

         Você pode estar se perguntando, que vegetação é essa que pode colonizar um ambiente de alta salinidade, pouco oxigênio no solo e inundações frequentes da maré, que é tão hostil para a maioria das plantas? O mangue é a comunidade vegetal dominante desses ambientes tão característicos. Isso é possível graças as adaptação morfologias e fisiologias das espécies vegetais.

         As plantas do manguezal possuem uma forma característica, comum entre si, apesar de sua flora ser numerosa e diversa. 

 

dsc00798

Cobertura vegetal no manguezal da praia 13 de Julho. (Aracaju – SE)

 

 

         Para a fixação em um solo lamoso, o mangue-vermelho (Rhizophora mangle) possui raízes escoras ou rizóforos. Essas estruturas formam arcos saindo do caule principal, o que permite a sustentação da planta.

 

dsc00936

Raízes  escora de Rhizophora mangle. (Manguezal do rio São Franciso)

 

        Contudo, as plantas isoladas não resistem à força do vento, já que suas raízes não ficam muito profundas. O que mantém as plantas de pé é sua coletividade, ou seja, as plantas acabam se escorando umas nas outras, através de seus galhos e raízes.

         O mangue possui estruturas em suas raízes chamadas de lenticelas, cuja função é a troca de gases. O mangue-vermelho, além dos rizóforos, possui raízes aéreas, que descem de seus galhos, para auxiliar na ventilação da planta. 

 

pic_2998

Raízes aéreas. (Manguezal do rio São Francisco)

 

       Já o mangue-amarelo (Avicenia) e o mangue-branco (Laguncularia) possuem uma formação especial. Suas raízes crescem verticalmente emergindo do solo, na ponta dessas raízes existem lenticelas para a troca de gases. Essas estruturas são conhecidas como pneumatóforos. 

 

 avicenia

 Flor de Avicenia 

 

laguncularia-racemosa

Laguncularia rancenosa

  

         Para sobreviver à salinidade, o mangue vermelho (Rhizophora mangle) possui em suas raízes membranas que impedem a entrada dos sais. Outra estratégia que encontramos em Avicenia, é a eliminação do sal através de glândulas  localizadas nas folhas. A reprodução do mangue também é uma forma de proteção contra o meio salino. O zigoto desenvolve-se preso a árvore mãe, esse mecanismo é conhecido como viviparidade. Além dessas características, essa vegetação possui tolerância a grandes períodos de submersão.

 

conocarpus

Mangue de botão (Conacarpus erectus)

 

         E caso você não tenha ficado preso em raízes áreas pelo caminho, envie-nos suas dúvidas e sugestões. Para conhecer mais sobre a flora de Sergipe acesse também o site www.florasergipe.ufs.br .

 

Texto escrito por: Dante Luís S. Mariano

 

Voltar

 

Referências Bibliográficas

 

ALVES, S. N. Ecofisiologia do Manguezal. Org. Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos. Aracaju: Degrase, 2008.  

LANDIM, M.; GUIMARÃES, C.P. Manguezais do Rio Sergipe. In: José do Patricínio Hora Alves. (Org.) Rio Sergipe – importância, vulnerabilidade e preservação. Aracaju: Os Editora, 2006.

LONGHURST, A.R., PAULY, D. Ecologia dos Oceanos Tropicais. São Paulo, Edusp, p. 40 – 43. 2007.

MASTALLER, M. Resumo da literatura sobre conceitos do uso de áreas de mangue, com referência especial para a aqüicultura artesanal. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), S/D.

TOMLINSON, P.B. The botany of mangroves. Cambrigde University Press, New York, NY, USA, 1986)

Uma resposta em “Flora”

  1. ana carolinaon 07 ago 2013 at 20:56

    Explicação boa, mas seria interessante que fosse complementada com uma explicação mais clara do porquê, acompanhado de fotos, das várias nomenclaturas: mangue-branco, mangue-vermelho e mangue-preto e mangue botão (este é meio óbvio, mas, os outros…).

    Obrigada,

    Ana Carolina

Trackback URI | Comments RSS

Deixe sua opinião